sexta-feira, 27 de julho de 2007

Chuva de dinheiro

A contratação atacante romeno Ciprian Marica pelo Stuttgart, por € 8 milhões, foi responsável pela quebra de dois recordes na Alemanha. A primeira, de mais caro jogador da história do VfB. Além disso, o investimento do campeão alemão fez com que a Bundesliga registrasse a maior soma em transferências de jogadores em toda sua história, com € 158 milhões.O recorde anterior, da temporada 2001/02, no auge da bolha financeira no futebol, era de € 153 milhões, somados os jogadores negociados durante o inverno. Ou seja: o recorde batido nesta semana tem tudo para aumentar ainda mais até o final da janela de transferências, em 31 de agosto, e ainda mais em janeiro.Obviamente, o principal responsável pela soma ter chegado a esse patamar foi o investimento de € 69 milhões pelo Bayern de Munique, que também bateu seu recorde com a chegada de Franck Ribéry, por € 25 mi. O valor gasto pelos bávaros, aliás, já foi, sozinha, maior que todo o investimento das temporadas 1996/97, 1997/98, 1998/99, 2000/01, 2003/04, 2004/05 – não somadas, claro.Essa onda de investimentos por parte dos clubes alemães – até mesmo pelos menos abastados – tem a ver com um momento muito especial vivido pelo futebol no país. O mercado esportivo na Alemanha dá mostras claras de ter superado sem traumas a crise gerada pela falência da Kirch-Media, em 2002, que quase arrasou uma série de equipes.Além disso, o efeito positivo gerado pela Copa do Mundo reflete positivamente na Alemanha, que conseguiu firmar acordos mais interessantes de direitos de transmissão interna e externamente, e também pelo maior interesse dos torcedores, que cada vez mais lotam as arquibancadas e compram produtos oficiais. Em números absolutos, a média de público nos estádios subiu mais que 50% desde 2000, quando era de 8,75 milhões por temporada. Isso, claro, tem a ver com a evolução dos estádios no país e o maior conforto para os fãs.Para atrair mais torcedores, os clubes têm procurado atrair jogadores de renome. O Hamburg, por exemplo, trouxe Van der Vaart e Kompany; o Bayern, atacou de Toni e Ribéry. Em menor proporção, o Duisburg foi atrás de Aílton, ídolo na Alemanha. Pelo menos em relação aos casos do HSV e dos bávaros, os alemães conseguiram superar a concorrência de mercados mais ricos, como Inglaterra, Itália e Espanha, tendo condições, inclusive, de oferecer melhores salários.Agora, basta um título internacional – seja da seleção ou de um clube – para o futebol alemão voltar a ser respeitado fora do país.

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